Inicia-se com a formulação de uma questão de investigação clara, focada e passível de ser respondida, adequada ao propósito e âmbito da revisão. A questão de investigação orienta todo o processo de revisão, desde o desenho da estratégia de pesquisa até à síntese dos dados.

Deve ser feita uma pesquisa preliminar de estudos e protocolos existentes (ex.: PROSPERO, Epistemonikos, JBI Evidence Synthesis, Cochrane Library, Open Science Framework) para verificar se já existe ou está em curso uma revisão semelhante. Esta etapa assegura que a revisão aborda uma necessidade de evidência não satisfeita e evita duplicações de trabalho.

De seguida, estrutura-se a pergunta de investigação de forma clara. Pode utilizar um quadro conceptual que seja adequado à natureza da investigação.

  • PICO – Population, Intervention, Comparator, Outcome (População, Intervenção, Comparação/Controlo, Resultados).
  • SPIDER – Sample, Phenomenon of Interest, Design, Evaluation, Research type (Amostra, Fenómeno de Interesse, Desenho, Avaliação, Tipo de Investigação).
  • PCC – Population, Concept, Context (População, Conceito, Contexto).

 

Ferramentas:

Modelo PICO [insert a word template]

Modelo SPIDER [create a word template?]

Os critérios de inclusão e exclusão devem ser estabelecidos antes de iniciar a pesquisa bibliográfica para garantir a transparência, consistência e reprodutibilidade na seleção de estudos. Os critérios ajudam a determinar que estudos são relevantes para a questão de investigação e quais devem ser excluídos.

Podem ser incorporados estes critérios na query de pesquisa ou podem ser aplicados através dos filtros e limites das bases de dados para refinar a pesquisa. Filtros comuns incluem tipo de publicação, intervalo de datas de publicação, idioma e características da população, como estudos em humanos/animais, grupos etários ou sexo, entre outros.

 

Critérios

Exemplos de critérios de incluso/exclusão

Data

Inclusão: Publicações dos últimos 10 anos.

Doença ou condição

Inclusão: Diabetes tipo 2.

Grupo de pacientes

Inclusão: Adultos ≥18 anos.

Exclusão: Crianças, mulheres grávidas, doentes com comorbilidades graves como insuficiência renal estágio 5.

Desenho de estudo

Inclusão: Ensaios clínicos aleatorizados (RCTs), revisões sistemáticas e meta-análises.

Exclusão:  Estudos de caso, relatos de caso ou opiniões de peritos.

Língua

Inclusão: Artigos em inglês, português ou espanhol.

Exclusão: Línguas não compreendidas pelos revisores.

Localização geográfica

Inclusão: Países em desenvolvimento.

Exclusão:  Países de elevado rendimento (classificação OMS).

 

O desenvolvimento de um protocolo constitui um dos primeiros passos e é crítico na realização de uma revisão sistemática. Funciona como um plano detalhado que delineia os objetivos, a metodologia e a abordagem analítica antes de iniciar o processo de revisão, assegurando que o trabalho é transparente, organizado e metodologicamente rigoroso. Previne também alterações post hoc nos critérios de inclusão ou análises, minimizando o risco de introdução de enviesamento. O registo do protocolo reforça a credibilidade da revisão e demonstra rigor metodológico.

 

A informação a incluir num protocolo abrange geralmente os seguintes elementos:

·       Qual a nova contribuição que a revisão trará ao campo científico?

·       Qual a questão de investigação específica que a revisão abordará?

·       Qual a estratégia de pesquisa a utilizar e quais as bases de dados e fontes de literatura cinzenta a consultar?

·       Como serão selecionados os estudos, extraídos os dados e avaliados o risco de viés ou a qualidade?

·       Qual a abordagem de síntese a aplicar (ex.: será realizada uma meta-análise)?

·       De que forma serão comunicados e partilhados os resultados da revisão?

·       Quem são os revisores responsáveis pela condução do estudo?

·       Qual o cronograma do projeto?

 

O registo da revisão deve ser efetuado em plataformas como PROSPEROOpen Science Framework (OSF), ou JOANA Briggs Institute (JBI) para garantir a acessibilidade ao protocolo.

A publicação do protocolo numa revista pode ser ponderada, uma vez que é contabilizada enquanto uma publicação formal. Algumas revistas aceitam protocolos de revisões sistemáticas para publicação:

  • BMJ Open
  • JBI Evidence Synthesis
  • Systematic Reviews BioMed Central journal
  • F1000Research

 

Ferramentas: 

Tutorial PROSPERO [create tutorial]

PRISMA-P (Preferred Reporting Items for Systematic review and Meta-Analysis Protocols) 2015 checklist – Lista de verificação com 17 itens que auxilia na preparação de protocolos robustos para revisões sistemáticas e meta-análises, assegurando a reportagem completa do racional, métodos e planos de análise.

O processo de pesquisa numa revisão sistemática é crucial para identificar de forma sistemática e exaustiva todos os estudos relevantes relacionados com a questão de revisão.

A estratégia de pesquisa é criada a partir da questão de investigação, e dos termos identificados utilizando quadros conceptuais como o PICO. Posteriormente, são selecionadas bases de dados apropriadas como fontes e a query de pesquisa é adaptada à sintaxe e funcionalidades específicas de cada base de dados. Todos os membros da comunidade NMS têm acesso às bases de dados PubMed, Cochrane Library, Scopus e Web of Science. Podem igualmente ser selecionadas outras fontes como bases de dados de preprints ou registos de ensaios clínicos.

 

Para saber mais sobre como desenvolver a estratégia de pesquisa, consulta o nosso guia sobre Pesquisa de Literatura Científica.

A Biblioteca NMS oferece serviços de apoio e consultoria de estratégias de pesquisa, bem como a execução das mesmas em múltiplas bases de dados.

 

Ao recolher artigos de múltiplas bases de dados, são identificados duplicados nos registos recolhidos. Gestores de referências como Zotero, Mendeley ou EndNote, ou softwares especializados como Rayyan, são utilizados para remover resultados duplicados.

 Numa revisão sistemática, cada registo é avaliado por dois revisores independentes num processo de screening em duas etapas:

 

  1. Screening a partir da leitura de título e resumo para eliminar estudos não relacionados com o tema.
  2. Screening do texto integral aplicando critérios complexos de inclusão/exclusão.

 

Em caso de desacordo entre os revisores, a decisão é resolvida através de um procedimento predefinido, geralmente por discussão ou, se necessário, consulta a um terceiro revisor para alcançar consenso.

O Rayyan é um software concebido especificamente para o screening de título/resumo e texto completo em revisões sistemáticas, otimizando o processo com priorização assistida por IA e fluxos de trabalho em equipa. A Biblioteca da NMS dispõe de subscrição do Rayyan Professional, disponibilizando acesso a investigadores e equipas de investigação. O acesso é concedido quando a biblioteca está envolvida no processo de pesquisa bibliográfica e exportação de resultados.

 

Ferramentas:

Tutorial Rayyan [inserir tutorial]

A extração de dados de forma sistemática e estruturada é essencial para assegurar transparência no processo de revisão, permitindo que outros verifiquem exatamente que dados foram utilizados e como foram alcançadas as conclusões.  A extração, à semelhança da triagem, é desempenhada por pelo menos dois revisores independentes minimizando erros e vieses, ao mesmo tempo que se garante uma análise detalhada necessária para a avaliação da qualidade metodológica e do risco de enviesamento de cada estudo incluído.

Para uma extração de dados eficaz, decide-se previamente a informação a recolher, seguindo orientações da Cochrane Handbook. Uma vez definidas as categorias de dados, organizam-se numa tabela (adaptando modelos existentes) e atribuem-se pelo menos dois revisores independentes para realizar a extração. Utilizam-se folhas de cálculo ou ferramentas de gestão de revisões sistemáticas como Rayyan, Covidence, RevMan ou Elicit para registar todos os dados relevantes de cada estudo incluído.

Após a extração, os revisores comparam a informação extraída, verificando o rigor e concordância, e resolvem-se eventuais conflitos chegando a consenso ou recorrendo a um terceiro revisor. Finalmente, organizam-se os dados verificados em tabelas ou folhas de cálculo para preparar a síntese e comparação.

 

Ferramentas:

Para preparação de tabelas de extração de dados: Cochrane Handbook, Chapter 5: Collecting data (ver 5.5 Extracting data from reports)

Para preparação da síntese: Cochrane Handbook, Chapter 9: Summarizing study characteristics and preparing for synthesis

A avaliação da qualidade ou do risco de enviesamento constitui o processo de avaliação sistemática da qualidade dos métodos dos estudos incluídos, e do grau de confiança que os seus resultados proporcionam.

 

Como se centra mais nos métodos do que nos resultados (identificando questões como enviesamento, desenho inadequado de estudo, problemas na recolha e análise de dados), esta etapa permite aos revisores julgar a credibilidade e qualidade geral da evidência antes de combinar os resultados dos estudos.

Esta etapa é realizada e reportada de forma independente por pelo menos dois revisores, utilizando ferramentas ou listas de verificação padronizadas.

 

Ferramentas comuns de avaliação crítica para revisões sistemáticas:

o   AMSTAR 2 – Ferramenta para avaliar a qualidade metodológica de revisões sistemáticas, incluindo aquelas com estudos randomizados ou não randomizados de intervenções em saúde.

o   ROBIS Tool – Avalia o risco de enviesamento em revisões sistemáticas seguindo quatro componentes do estudo (critérios de elegibilidade, identificação de estudos, avaliação de dados, síntese).

o   CASP Systematic Review Checklist – Lista concisa para avaliação crítica de revisões sistemáticas, focando-se especificamente na validade, resultados e relevância, para uma avaliação crítica rápida.

o   CEMB (Centre for Evidence Based Medicine) – Conjunto de ferramentas de avaliação crítica para vários desenhos de estudo, auxiliando a avaliação de síntese de evidência em contextos clínicos e de investigação.

A síntese é a etapa em que os resultados dos estudos individuais são reunidos para responder à questão de revisão de forma estruturada e transparente.

A síntese pode ser:

o   Síntese quantitativa, tipicamente meta-análise, utiliza métodos estatísticos para agregar estimativas de efeito de estudos comparáveis. É possível realizar uma “Síntese Estatística Sem Meta-análise” (Synthesis Without Meta-analysis ou SWiM) quando os estudos são heterogéneos ou não fornecem dados suficientes para calcular tamanhos de efeito padronizados.

Pacotes estatísticos como o RevMan, R (com pacotes como o metafor ou o meta), ou o Stata são tipicamente usados para desenvolver meta-análises com geração de gráficos, como o forest plot ou funnel plots.

 

o   Síntese qualitativa ou narrativa, usada quando a heterogeneidade dos estudos impede uma abordagem estatística, centrando-se na descrição estruturada, no agrupamento de estudos e na exploração das razões das divergências entre resultados.

Ferramentas como o Rayyan, Covidence, Excel/Google Sheets ou ferramentas de IA como Elicit, auxiliam na organização, agrupamento e codificação de características e resultados dos estudos.

 

Após a síntese, avalia-se a certeza da evidência para cada outcome incluído na revisão.

Ao classificar explicitamente a certeza, torna-se transparente onde a evidência é robusta ou frágil, auxiliando clínicos, decisores políticos e pacientes na compreensão do peso a atribuir aos resultados. Permite a transformação de resultados em recomendações.

Em muitas revisões sistemáticas médicas, a certeza é avaliada utilizando quadros estruturados como o GRADE (Grading of Recommendations, Assessment, Development and Evaluation), que propõe um conjunto de critérios claros em linguagem padronizada para comunicar a confiança nas estimativas de efeito. Consulte mais informação em Cochrane Handbook Chapter 14: Completing ‘Summary of findings’ tables and grading the certainty of the evidence.

 

Ferramentas:

Para meta-análises:

o   Cochrane Handbook. (2025). Analysing data and undertaking meta-analyses.

o   JBI Handbook. (2025). Meta-analysis.

Para Sínteses Estatísticas Sem Meta-análise (SWiM):

o   Campbell, M., et al. (2020). Synthesis without meta-analysis (SWiM) in systematic reviews: reporting guideline. BMJ (Clinical research ed.), 368, l6890.

o   Cochrane. (2020). SWiM reporting guideline.

o   Cochrane Handbook. (2025). Statistical synthesis when meta-analysis of effect estimates is not possible.

Para sínteses de evidência qualitativa:

o   Cochrane Handbook. (2025). Selecting a qualitative evidence synthesis and data extraction method.

o   Cochrane. (2025). Cochrane-Campbell Handbook for Qualitative Evidence Synthesis

o   JBI. (2025). Qualitative evidence synthesis.

Na fase da escrita do manuscrito de uma revisão sistemática é descrito todo o processo metodológico da revisão e os resultados de forma clara, transparente e reprodutível.

Guias pré-estruturados como o fluxograma PRISMA, (ou PRISMA-ScR para revisões “scoping”) podem orientar um relatório estruturado e exaustivo.

Ao nível da metodologia

1.       Indicação da questão de investigação, e utilização do PICO ou quadro semelhante.

2.       Descrição dos critérios de inclusão/exclusão.

3.       Listagem de todas as bases de dados, plataformas de registos, e fontes de literatura cinzenta pesquisadas, com intervalos de datas e queries de pesquisa usada em cada base de dados.

4.       Explicação do processo de triagem, número de revisores envolvidos e estratégia de resolução de conflitos.

5.       Especificação de como que dados foram extraídos, ferramentas utilizadas, e responsáveis pela extração.

6.       Declaração de ferramentas de avaliação de qualidade (ex.: ROBINS-I, AMSTAR) e sua aplicação.

7.       Descrição de métodos de síntese, incluindo abordagens estatísticas ou software.

8.       Registo de desvios ao protocolo com as devidas justificações.

 

Ao nível dos resultados

1.       Organização dos resultados por outcomes ou temas.

2.       Inclusão da seleção de estudos com diagrama de fluxo PRISMA*.

3.       Resumo das características dos estudos em tabelas.

4.       Apresentação dos resultados de forma clara por cada outcome.

5.       Avaliação e apresentação do risco de enviesamento.

6.       Síntese dos achados de forma narrativa ou através de meta-análise.

7.       Grau de certeza da evidência por cada outcome utilizando o GRADE.

8.       Uso de figuras e tabelas para destacar padrões principais.

9.       Interpretação da relação entre resultados e a pergunta de investigação.

 

Ferramentas:

              *PRISMA 2020 flow diagram

PRISMA 2020 Checklist

Na fase da escrita do manuscrito de uma revisão sistemática é descrito todo o processo metodológico da revisão e os resultados de forma clara, transparente e reprodutível.

Guias pré-estruturados como o fluxograma PRISMA, (ou PRISMA-ScR para revisões “scoping”) podem orientar um relatório estruturado e exaustivo.

Ao nível da metodologia

1.       Indicação da questão de investigação, e utilização do PICO ou quadro semelhante.

2.       Descrição dos critérios de inclusão/exclusão.

3.       Listagem de todas as bases de dados, plataformas de registos, e fontes de literatura cinzenta pesquisadas, com intervalos de datas e queries de pesquisa usada em cada base de dados.

4.       Explicação do processo de triagem, número de revisores envolvidos e estratégia de resolução de conflitos.

5.       Especificação de como que dados foram extraídos, ferramentas utilizadas, e responsáveis pela extração.

6.       Declaração de ferramentas de avaliação de qualidade (ex.: ROBINS-I, AMSTAR) e sua aplicação.

7.       Descrição de métodos de síntese, incluindo abordagens estatísticas ou software.

8.       Registo de desvios ao protocolo com as devidas justificações.

 

Ao nível dos resultados

1.       Organização dos resultados por outcomes ou temas.

2.       Inclusão da seleção de estudos com diagrama de fluxo PRISMA*.

3.       Resumo das características dos estudos em tabelas.

4.       Apresentação dos resultados de forma clara por cada outcome.

5.       Avaliação e apresentação do risco de enviesamento.

6.       Síntese dos achados de forma narrativa ou através de meta-análise.

7.       Grau de certeza da evidência por cada outcome utilizando o GRADE.

8.       Uso de figuras e tabelas para destacar padrões principais.

9.       Interpretação da relação entre resultados e a pergunta de investigação.

 

Ferramentas:

              *PRISMA 2020 flow diagram

PRISMA 2020 Checklist