Princípios FAIR

Os princípios FAIR  (acrónimo de Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) foram definidos em 2016 com o objetivo de promover o uso eficaz, ético e sustentável dos dados científicos. Representam um conjunto de diretrizes que visam garantir que os dados de investigação possam ser facilmente encontrados, acedidos, integrados e reutilizados ao longo do tempo.

Tornar os dados FAIR aumenta a possibilidade de replicar e validar a investigação, facilita a partilha e o refinamento de estudos anteriores, evita duplicação desnecessária na recolha de dados e melhora a visibilidade e o impacto do trabalho dos investigadores. Por isso, os dados FAIR são hoje um elemento central das políticas de Ciência Aberta da Comissão Europeia e de vários financiadores.

 

O que significa cada princípio FAIR?

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A primeira condição para que os dados sejam úteis é que possam ser encontrados, tanto por pessoas como por máquinas.
Pergunta orientadora deste princípio: “Os meus dados são fáceis de encontrar?”
Ações recomendadas:

Atribuir Identificadores Únicos Persistentes (PID), como DOI para datasets, ORCID para autores ou ROR para organizações/instituições.

Incluir metadados descritivos, completos e legíveis por máquinas, para facilitar a descoberta e a identificação dos dados em motores de busca e repositórios.

Registar ou indexar os dados num repositório de dados ou noutra plataforma recomendada e confiável.

Uma vez localizado o conjunto de dados, deve ser claro do que se trata e como pode ser acedido.
Pergunta orientadora deste princípio: “Depois de encontrados, os meus dados são obtidos de forma clara e segura?”
Ações recomendadas:

Garantir que os (meta)dados são recuperáveis através do respetivo PID, usando protocolos de comunicação normalizados e abertos, como HTTPS.

Permitir que o conteúdo seja descarregável ou acessível via links estáveis.

Assegurar que os metadados continuam acessíveis mesmo que os dados não estejam em acesso aberto.

Quando o acesso aos dados é fechado ou controlado, explicitar em que condições pode ser pedido o acesso e quem são os responsáveis a contactar.

Implementar mecanismos de autenticação e autorização adequados quando o acesso é restrito.

Os dados devem ser compatíveis com diferentes sistemas e plataformas, facilitando a combinação e integração com outros conjuntos de dados. Ou seja, não devem ficar cativos ao ambiente ou software em que foram criados.
Pergunta orientadora deste princípio: “Os meus dados podem ser integrados com outros dados e sistemas?”
Ações recomendadas:

Utilizar formatos de ficheiro recomendados e abertos ou adequados à disciplina (por exemplo, CSV, JSON, PDF).

Aplicar normas e esquemas de metadados reconhecidos (por exemplo, Dublin Core, DataCite).

 Usar vocabulários controlados, taxonomias ou ontologias para garantir que a terminologia é clara e não ambígua (por exemplo, ISO 8601 para datas, ISO 3166 para países, vocabulários controlados como o MeSH).

Quando não existirem vocabulários normalizados, criar e disponibilizar um codebook ou dicionário de dados que explique a terminologia utilizada.

Estabelecer ligações entre diferentes objetos digitais (dados, publicações, software) utilizando PIDs nas referências e nos metadados.

 

Os dados devem estar suficientemente bem descritos e documentados para poderem ser reaproveitados em novas investigações, dentro ou fora do âmbito original.
Pergunta orientadora deste princípio: “Alguém que não participou no projeto consegue perceber e reutilizar estes dados?”
Ações recomendadas:

Fornecer documentação e metadados completos, que descrevam como, porquê, por quem e quando os dados foram criados (proveniência), bem como os métodos de recolha, de processamento e limitações.

Explicitar claramente as condições de reutilização, através de uma licença como a Creative Commons.

Indicar a autoria e créditos específicos (investigadores, instituição, financiador, número de projeto).

Garantir que a qualidade e a estrutura dos dados são suficientes para permitir análise posterior (por exemplo, dicionário de dados atualizado, unidades de medida, códigos usados).