OncoGyn PT | Projeto da NOVA Medical School identifica impacto dos atrasos no diagnóstico e tratamento do cancro ginecológico e propõe “Via Verde”

18-mai-2026

O projeto OncoGyn PT – Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico, desenvolvido pela NOVA Medical School Scientific Services com o apoio da GSK Portugal, identificou falhas estruturais no diagnóstico e tratamento do cancro do ovário e do endométrio em Portugal, alertando para o impacto clínico e económico dos atrasos ao longo da jornada das doentes.

As conclusões do projeto foram reunidas num White Paper que cruza evidência científica nacional e internacional com contributos de especialistas e stakeholders da área da saúde, propondo recomendações orientadas para a equidade, eficiência e valor em saúde.

A análise demonstra que o tratamento da doença em estádio avançado pode representar custos até três vezes superiores para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), comparativamente à intervenção precoce. Para além do impacto financeiro, os atrasos no diagnóstico e referenciação continuam a traduzir-se em piores resultados clínicos e menores taxas de sobrevivência.

No caso do cancro do ovário, responsável por 472 mortes anuais em Portugal, cerca de 75% dos casos continuam a ser diagnosticados em fases avançadas da doença. Já no cancro do endométrio, cuja taxa de sobrevivência pode atingir os 80% a 90% quando identificado precocemente, a sobrevivência desce para 15% a 17% em estádio IV.

O projeto identifica vários desafios ao longo da jornada das doentes, incluindo dificuldades de referenciação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, desigualdades regionais no acesso a equipas especializadas e ausência de métricas que permitam monitorizar o tempo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento.

Entre as principais recomendações apresentadas está a criação de uma Via Verde OncoGyn com Symptom Index, destinada a apoiar a deteção precoce e a referenciação rápida para cuidados especializados. O documento propõe também a implementação de um Registo Oncológico Interoperável e a centralização do tratamento em centros de referência acreditados pela Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica (ESGO).

Alinhado com o Plano Europeu de Combate ao Cancro e com a Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021–2030, o projeto pretende contribuir para a implementação de soluções sustentáveis que promovam melhores resultados em saúde e uma utilização mais eficiente dos recursos do SNS.