Ensino em contexto clínico na Licenciatura em Ciências da Nutrição

Um dia na vida de um estudante da NOVA Medical School. 

04-nov-2022

Alexandre acordou pelas 06h00 da manhã, hora em que preparou um pequeno-almoço muito completo, pois ia ser um dia cheio – uma tosta com ovo e um belo café com leite.

Depois de tomar o seu banho rápido, preparou tudo o que necessitava para o seu dia e foi de transportes, rumo à estação do oriente.

O seu dia começava com aulas em contexto real na CUF Descobertas, acompanhando a atividade clínica da Dra. Catarina Rodrigues.

Chegou à CUF, onde já detém todos os acessos necessários para entrada, pelas 08h00 da manhã. Assistiu a algumas consultas onde pôde contatar com várias formas de terapêutica nutricional mediante o motivo da consulta apresentado pelos diversos doentes, não só gestão de peso como efetivamente a melhoria de sinais e sintomas provocados por uma determinada doença metabólica.

Após a última consulta estipulada para o seu turno, continuou a sua jornada diária – rumo à Clínica Diaverum de Entrecampos – uma clínica especializada no tratamento de pessoas com patologia renal.

Com uma receção calorosa por parte da equipa da Diaverum, com destaque para o Dr. Vitor de Sá Martins – Nutrition Manager da Diaverum Portugal, deu início – juntamente com alguns colegas de curso, a uma bela experiência em contexto clínico. Aqui, começa o relato desta experiência, aos olhos do Alexandre Rodrigues, aluno do 4º ano da Licenciatura em Ciências da Nutrição.

“Subimos ao 1º andar, onde fomos acolhidos pela Dra. Patrícia, Nutricionista da Diaverum nesta unidade. Neste piso, fomos primeiramente à copa onde vimos os lanches que são recebidos pelos utentes durante a hemodiálise e nos foi explicado todo o processo para assegurar a segurança alimentar do que os doentes consumiam. Daqui, seguimos em direção à farmácia da clínica, onde nos foi estabelecido contacto com um dos enfermeiros e a farmacêutica da clínica, que nos elucidou sobre todo o processo de seleção e individualização dos fármacos que cada doente necessita de tomar. Aqui, ainda conseguimos perceber a forma como a multidisciplinariedade acontece entre a enfermagem, a nutrição, a medicina e a farmácia. 

Posteriormente, o enfermeiro que se encontrava connosco, levou-nos a conhecer o resto das instalações da clínica, nomeadamente, as diferentes salas onde é realizada a hemodiálise, dispondo esta clínica de 4 salas de hemodiálise, sendo que apenas numa delas era feita a hemodiálise em doentes com doenças que se podiam transmitir através do sangue, por exemplo, HIV e hepatites. Neste espaço, são utilizadas máquinas etiquetadas especificamente para as diferentes doenças que são conhecidas em cada utente.

Conseguimos perceber ainda, nesta clínica, que os corredores para doentes e para profissionais de saúde apresentam colorações distintas, de forma a poder ser facilmente reconhecidas as áreas indicadas a cada pessoa presente na unidade. De modo a finalizar a visita, vimos ainda o local onde eram guardados todos os materiais necessários à hemodiálise de um paciente e quais são efetivamente aqueles que são utilizados mediante diferentes tipos de hemodiálise e, ainda, acedemos à área onde se encontram os reservatórios de água bem como a sala onde esta é tratada, percebendo também de que forma é que a água da rede pública se torna mineralmente própria à realização dos procedimentos hemodialíticos dos diferentes doentes. Esta água é monitorizada algumas vezes ao dia para se poder continuar com os procedimentos da clínica de forma contínua.

Após esta visita, fomos direcionados à sala de reuniões onde nos foi feita uma breve introdução aos conceitos gerais da hemodiálise, os diferentes tipos de hemodiálise e em que situações é que estas são utilizadas e ainda o processo físico-químico que ocorre aquando da hemodiálise. Após esta explicação, foi ainda referido a forma como se atuava em equipa multidisciplinar na clínica, paralelamente com a resolução e discussão de um caso clínico trazido pela Drª Patrícia.

Para percebermos melhor a forma como o nutricionista atua durante a hemodiálise do doente acompanhámos ainda a nutricionista da Diaverum Entrecampos a uma das salas de hemodiálise, onde esta contactou com alguns doentes tentando perceber de que forma poderia alterar ou manter a sua intervenção nutricional, pelos valores que estavam descritos nas análises dos mesmos. Assim, a Drª Patrícia ia fazendo algumas recomendações a vários doentes de forma a poder perceber os erros que estavam a ser feitos pelos utentes e colmatá-los com diversas estratégias, muitas vezes negociadas entre o profissional e o utente, com vista a ser benéfico para ambas as partes. 

Voltando à sala de reuniões acabámos esta manhã de estágio com uma recordação fotográfica.

Na minha perspetiva, penso que esta manhã de estágio na Diaverum foi extremamente enriquecedora, tornando a visão das funções e competências de um nutricionista num doente renal em hemodiálise muito mais completa e próxima daquilo que é a realidade vivida. Foi muito interessante poder observar também as diferentes relações que existem entre profissional e utente mediante o doente com quem se está a interagir, influenciando, por exemplo, se este é mais ou menos recetivo às indicações dadas pela Nutricionista ou até se tem outras patologias adjacentes, como distúrbios mentais, que levam à adaptação do discurso de forma individual, o que se torna um grande desafio para a atividade profissional. Finalmente, a esquematização da estratégia nutricional feita para todos os doentes é também um trabalho hercúleo e muito desafiante a ser realizado pela nutricionista, tendo em conta as preferências alimentares de cada utente. Globalmente, todo este contacto com a realidade de forma muito próxima, vivenciando os desafios diários, foi único e tornou-me muito mais consciente da atividade do nutricionista nas suas diversas valências. “